A influência da sustentabilidade e eficiência energética na atratividade de imóveis para fundos de investimento

Apto em Atibaia

Você já reparou como os prédios novos parecem estar ficando mais “inteligentes”? Não estou falando apenas de automação de luzes ou fechaduras eletrônicas, mas de uma mudança real no DNA das construções. Se antes o que importava era apenas a localização e o tamanho da planta, hoje o jogo mudou. Os grandes investidores, especialmente os fundos imobiliários, estão com uma lupa sobre critérios que, até pouco tempo atrás, eram vistos como um “luxo” ou apenas um diferencial estético.

A eficiência energética e a sustentabilidade deixaram de ser pautas de nicho para se tornarem requisitos de sobrevivência no portfólio de quem entende de dinheiro.

O custo oculto da ineficiência

Pense na trajetória de um edifício comercial de grande porte. Antigamente, o foco era o custo de construção e o valor do metro quadrado. O problema é que, após a entrega, o custo operacional pode se tornar uma bomba-relógio para o proprietário ou para o inquilino. Um prédio que gasta rios de dinheiro em ar-condicionado e iluminação por causa de um isolamento térmico ruim ou fachadas mal projetadas acaba sendo menos competitivo no mercado de locação.

Na prática, isso acontece com frequência: uma empresa de tecnologia, por exemplo, busca um escritório com certificação LEED ou selos de sustentabilidade porque isso não apenas reduz a conta de energia, mas atende às metas de ESG da própria companhia. Imóveis que não oferecem essa economia operacional ficam obsoletos rápido. Um fundo de investimento que compra um imóvel “antiquado” hoje sabe que, daqui a cinco anos, terá uma dificuldade enorme para mantê-lo ocupado, a menos que gaste uma fortuna em retrofit. E é exatamente esse risco que os gestores de fundos tentam evitar a todo custo.

Por que os fundos pagam mais por selos verdes

Não é apenas uma questão de bondade ambiental. Existe uma lógica financeira direta por trás da atratividade desses imóveis. Edifícios com alta eficiência energética possuem menor vacância. Quando uma empresa precisa escolher entre dois escritórios no mesmo bairro, a conta do condomínio e a sustentabilidade pesam na balança. O imóvel eficiente é mais fácil de alugar e, consequentemente, garante uma renda mais estável para quem é cotista do fundo.

Além disso, a liquidez de um ativo é muito maior quando ele é sustentável. Se o fundo decidir vender aquele prédio daqui a dez anos, ele encontrará um mercado muito mais restrito para edifícios ineficientes, enquanto os ativos “verdes” continuam sendo os preferidos dos grandes players internacionais que estão entrando no Brasil. É o efeito da valorização resiliente: você paga um pouco mais na entrada, mas garante que o ativo não se desvalorize conforme as legislações ambientais ficam mais rígidas.

O impacto na valorização a longo prazo

Vale observar que o mercado de capitais está cada vez mais sensível ao risco climático. Se um imóvel está em uma região com histórico de alagamentos ou se consome água de forma ineficiente, ele é visto como um risco maior. Por outro lado, prédios que fazem reúso de água e aproveitam a iluminação natural têm um perfil de risco-retorno muito mais atraente.

Para quem está acompanhando o mercado como investidor ou até como proprietário que pensa em valorizar seu patrimônio, o recado é claro: a tecnologia voltada para o baixo consumo não é apenas um detalhe técnico. Ela é a nova métrica de valor de mercado.

Se você está pensando em comprar um imóvel para investir ou até mesmo para sua própria empresa, pare para analisar esses pontos. Verifique se o projeto possui ventilação cruzada, reaproveitamento de água ou vidros de alta performance. Pode parecer um detalhe pequeno no momento da assinatura da escritura, mas é isso que vai definir se o seu patrimônio vai se tornar um ativo disputado ou uma dor de cabeça cara daqui a alguns anos. O mercado imobiliário aprendeu que a conta do final do mês tem um impacto direto no valor do metro quadrado, e quem ignora isso acaba ficando para trás.

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